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09-02-2010

ACAPOR lamenta processo de insolvência da Blockbuster em Portugal

A ACAPOR reage com enorme pesar à notícia que dá conta do processo de insolvência da Blockbuster em Portugal.

 

A Blockbuster trouxe para Portugal , em 1996, inovação e investimento. Dignificou, ainda mais, o serviço prestado pelos clubes de video aos consumidores portugueses sempre ávidos por bom cinema-em-casa. Agora, muito à custa do desprezo e desinteresse manifesto por parte do Estado em proteger o sector do crime em massa, a Blockbuster em Portugal cai aos pés da pirataria provocando um dano incomensurável em todo o mercado videográfico.

 

Consequência directa deste provável fecho, é a extinção de mais de cem postos de trabalho. São mais cem pessoas, a somar a outras centenas  ligadas ao ramo videográfico que já ficaram sem o seu emprego, não porque os clientes que suportavam esses mesmos empregos tenham migrado para qualquer concorrência, mas principalmente porque as autoridades do nosso país não souberam, nem sabem, cuidar dos investimentos dos particulares deixando-os à mercê de roubos descarados e despudorados.

 

As distribuidoras nacionais, que adquirem direitos para que os consumidores portugueses possam assistir a um vasto leque de títulos, irão sofrer um rude golpe nas suas contas levando certamente a um investimento mais contido, vitimando com isso a oferta cultural no nosso território.

 

O próprio Estado, que chegou a cobrar à Blockbuster milhões de euros por ano em impostos, perderá uma receita não despicienda sem que haja quem assuma tal responsabilidade.

 

Até quando? Quantas mais empresas terão que encerrar ou pedir insolvência para que o Estado entenda que este rumo é desastroso para a cultura e para a economia? Quantos mais postos de trabalho e empresas serão precisas desaparecer para que os governantes percebam que a inércia existente no combate ao download ilegal é vergonhosa num verdadeiro Estado de Direito?

 

Estivemos, há 15 dias, a fazer downloads ilegais, ou seja, a cometer um crime em plena via pública e as autoridades responderam com um silêncio ensurdecedor. Manifestou, como nunca, o quanto despreza o mercado cultural e de entretenimento.

 

Mas atenção! Enquanto existir formato físico de obras cinematográficas, o aluguer de filmes vai continuar a existir porque o consumidor quer este serviço. É certo que as dificuldades são enormes, que empresas com estruturas pesadas, como é o caso da Blockbuster, sentem como ninguém as flutuações de facturação derivadas deste período caótico de desgovernabilidade da internet. Mas muitas empresas continuam no mercado e estão prontas para servir os milhões de clientes que todos os anos procuram os clubes de vídeo. Os clientes que continuam a resistir ao apelo da ilegalidade mantêm-se fiéis ao aluguer nas nossas lojas e os números dos concorrentes virtuais dizem isso mesmo.

 

Por isso, para que seja possível continuarmos a prestar o serviço de excelência que há mais de 25 anos conquista o consumidor, exigimos que o Estado coloque imediatamente um fim no roubo em massa e que respeite o nosso trabalho.

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